O início do ano é, para muitas famílias, o momento de reorganizar prioridades — e de receber faturas de eletricidade mais altas do que esperavam. Em janeiro, o consumo energético doméstico pode ser até 30% superior aos meses de verão: dias mais curtos, temperaturas mais baixas e mais tempo em casa formam uma combinação cara.
A boa notícia é que a maioria desse aumento não é inevitável. Estes são os cinco erros energéticos mais comuns — e como corrigi-los.
1. Manter luzes ligadas mais tempo do que o necessário
A iluminação representa entre 10% e 15% do consumo doméstico médio português. No inverno, com menos horas de luz natural, as divisões ficam iluminadas artificialmente muito mais tempo — incluindo em espaços desocupados.
O erro mais comum não é ter luzes acesas onde há pessoas, mas sim esquecê-las ligadas onde não há ninguém.
Como corrigir:
- Adote o hábito de apagar a luz ao sair de cada divisão
- Substitua as últimas lâmpadas incandescentes ou halógenas por LED (até 80% menos consumo)
- Aproveite a luz natural ao máximo — abra estores e cortinas cedo, antes de recorrer à iluminação artificial
- Concentre a iluminação nas áreas realmente ocupadas
2. Ignorar o consumo fantasma do standby
Televisões, consolas de jogos, computadores, routers, carregadores, micro-ondas com relógio — todos estes aparelhos consomem energia continuamente, mesmo que estejam “desligados”.
Este consumo invisível pode representar até 10% da fatura mensal — o equivalente a 5 a 10 euros por mês numa casa média portuguesa. Parece pouco; ao longo de um ano são 60 a 120 euros a ir para o lixo.
Como corrigir:
- Desligar aparelhos da tomada quando não estão a ser usados
- Usar extensões com interruptor para desligar vários aparelhos de uma só vez
- Identificar os maiores consumidores de standby com uma tomada inteligente com monitorização de energia
3. Usar o forno e os eletrodomésticos de forma ineficiente
O forno elétrico é um dos equipamentos com maior consumo da casa. No inverno, com refeições mais elaboradas e mais tempo passado em casa, o uso aumenta — e com ele, os desperdícios.
Os erros mais frequentes:
- Abrir o forno durante a cozedura (cada abertura baixa a temperatura até 20°C, obrigando a recuperar)
- Ligar máquinas de lavar roupa ou loiça com carga parcial
- Usar programas de lavagem a 60°C quando 30°C ou 40°C são suficientes
Como corrigir:
- Planear refeições para aproveitar o forno ao máximo (cozinhar mais do que um prato de seguida)
- Escolher programas “eco” ou “rápido” sempre que adequado
- Esperar sempre ter carga completa antes de ligar máquinas de lavar
4. Aquecer a casa mais do que o necessário
O aquecimento é, de longe, o maior responsável pelo aumento da fatura no inverno. Um grau a mais no termóstato pode parecer insignificante — mas baixar 1°C no termóstato reduz o consumo em cerca de 7%.
Os erros mais comuns:
- Deixar o aquecimento em funcionamento quando a casa está vazia
- Aquecer divisões que não estão a ser utilizadas
- Manter janelas abertas enquanto o aquecedor está ligado
Como corrigir:
- Programar o termóstato para reduzir para 15°C quando sai de casa
- Fechar portas de divisões não ocupadas
- Vedar janelas e portas para não perder o calor produzido
- Aproveitar a luz solar durante o dia antes de recorrer ao aquecedor
5. Deixar equipamentos ligados sem necessidade
A televisão como ruído de fundo, o computador ligado sem ser usado, o sistema de som que ficou esquecido — são hábitos que parecem inofensivos mas que acumulam consumo ao longo de horas.
Numa casa típica, os equipamentos de entretenimento e informática podem representar 15% a 20% do consumo total quando deixados em funcionamento desnecessariamente.
Como corrigir:
- Desligue a televisão quando sair da divisão, em vez de deixar em standby
- Configure o computador para entrar em modo de suspensão após 10 a 15 minutos de inatividade
- Defina limites de tempo para equipamentos de som e iluminação com temporizadores
O passo seguinte: produzir a sua própria energia
Evitar estes erros pode reduzir a fatura em 15% a 25%. Para ir mais longe — e transformar definitivamente a relação com a energia — a instalação de painéis solares é o passo com maior impacto a longo prazo.
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