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Potência Contratada: Porque é que 7 em 10 Casas Pagam a Mais

Equipa Bling Energy 5 min de leitura
Quadro elétrico residencial com disjuntores

Há uma linha na sua fatura de eletricidade que paga todos os meses, mesmo que não acenda uma única luz. Chama-se “potência contratada” e, em mais de 70% das casas portuguesas, está acima do que faz sentido.

Em escalões mais altos (6.9, 10.35 ou 13.8 kVA), o termo fixo pode pesar 15 € a 30 € por mês — entre 180 € e 360 € por ano. Sem ninguém ligar nada.

Vamos arrumar isto.

O que é mesmo a potência contratada

A potência contratada é o máximo de eletricidade que a sua casa pode receber em simultâneo. É medida em kVA e determina:

  1. Quantos eletrodomésticos pode usar ao mesmo tempo sem o disjuntor “ir abaixo”
  2. Quanto paga de termo fixo todos os meses, mesmo com consumo zero

Não confunda com o consumo (medido em kWh). A potência é uma “subscrição de capacidade”; o consumo é o que efetivamente usa.

Os escalões em Portugal

Os escalões mais comuns para uso doméstico são:

PotênciaAdequada para
1.15 kVAT0/T1, frigorífico + iluminação + pequenos eletrodomésticos
3.45 kVAT1/T2, sem aquecimento elétrico
4.6 kVAT2/T3, com termoacumulador moderado
5.75 kVAT3, vários eletrodomésticos em simultâneo
6.9 kVAT3/T4, com ar condicionado em várias divisões
10.35 kVAT4+, com carro elétrico ou aquecimento elétrico central
13.8 kVACasas grandes ou pequenas atividades

A maior parte das casas portuguesas — apartamentos T2/T3 sem aquecimento elétrico central — vive perfeitamente com 3.45 a 5.75 kVA. Mas instalou-se em 6.9 kVA “por segurança”. E paga essa segurança todos os meses.

Como descobrir a sua

Pegue na sua fatura mais recente. Procure no detalhe contratual:

  • “Potência contratada: X kVA”
  • “Termo fixo: X €/dia” ou “X €/mês”

Vai encontrar facilmente. Anote o valor.

Como saber se pode baixar (sem ficar às escuras)

O teste é simples e leva 5 minutos.

  1. Faça uma lista mental dos eletrodomésticos que liga em simultâneo com mais frequência: forno + placa + microondas + máquina de lavar + ar condicionado + termoacumulador, por exemplo.
  2. Some os consumos máximos (W) — vêm nas etiquetas energéticas e no manual.
  3. Divida por 1.000. Esse é o número aproximado de kVA que precisa no pico.
  4. Acrescente uma margem de 20–25% para segurança.

Se o seu pico real for 4 kVA e está em 6.9 kVA, está a pagar por 2.9 kVA de “ar” todos os meses.

Há também um teste mais empírico: durante uma semana, repare se o disjuntor geral alguma vez disparou. Se nunca dispara — e é raro disparar fora de situações extremas — está provavelmente com folga.

O risco percebido vs o risco real

A grande resistência a baixar é o medo de “ficar sem luz” se ligar tudo ao mesmo tempo. Na prática, o pior que acontece é o disjuntor disparar — e levantar-se para o ligar novamente.

Não há cortes prolongados, não há danos no quadro elétrico, não há facturas adicionais. É um inconveniente, não uma catástrofe. E se acontecer com regularidade, sobe de novo um escalão — também sem custo.

A possibilidade do disjuntor disparar tem-se de equilibrar com a certeza de pagar 15–30 € a mais por mês durante anos.

Como mudar (em 5 minutos, sem custo)

A alteração de potência é gratuita uma vez por ano:

  1. Aceda à área de cliente do seu comercializador (ou ligue ao apoio)
  2. Peça alteração para o escalão pretendido
  3. A E-Redes (operador da rede) confirma e altera no contador
  4. A alteração reflete-se no próximo ciclo de faturação

Em alguns casos, o contador é alterado fisicamente (visita do técnico, sem custo). Na maioria, é tudo eletrónico, à distância.

O efeito do solar e da bateria

Aqui está o detalhe interessante: com painéis solares e/ou bateria, quase toda a gente pode descer um escalão de potência.

Porquê? Porque o sistema solar absorve grande parte do pico de consumo diurno (forno + ar condicionado + lavandaria), e a bateria suaviza os picos noturnos. A rede passa a fornecer só o que sobra — tipicamente muito menos do que sem solar.

Uma família com 6.9 kVA contratada que instala painéis + bateria consegue, em quase todos os casos, descer para 5.75 ou 4.6 kVA. Mais uma poupança permanente que se soma à da produção solar.

A conta final

Se está em 6.9 kVA e baixa para 5.75 kVA, poupa aproximadamente 5–8 € por mês — entre 60 € e 100 € por ano, todos os anos, sem mexer no consumo.

Se está em 10.35 kVA e baixa para 6.9 kVA, falamos de 15–22 € por mês — entre 180 € e 260 € por ano.

Em ambos os casos, sem custo de mudança, sem risco material, sem alteração no dia a dia.

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