A maioria dos portugueses paga a eletricidade com tarifa simples — o mesmo preço por kWh a qualquer hora do dia, da noite, da semana ou do fim de semana. E em 7 em cada 10 casas, isso é a opção mais cara.
A diferença entre uma tarifa certa e uma tarifa errada anda entre 100 € e 300 € por ano. Dinheiro que sai todos os meses sem ninguém dar por isso — porque a fatura continua a chegar com aspeto familiar e a fatia “a mais” passa por baixo do radar.
Vamos resolver isto em dois minutos.
O teste rápido (2 minutos)
Responda mentalmente a estas três perguntas:
- A sua máquina de lavar costuma trabalhar de dia ou de noite?
- Tem termoacumulador elétrico, ar condicionado em quase todas as divisões ou carrega um veículo elétrico em casa?
- Há pessoas em casa entre as 9h e as 18h durante a semana?
- Se respondeu noite, sim e não, está quase de certeza a perder dinheiro com tarifa simples.
- Se respondeu dia, não e sim, a tarifa simples pode estar bem.
- Se foi misto, a bi-horária (ou até a tri-horária) vai compensar.
Vamos perceber porquê.
Tarifa simples: a mais comum, raramente a melhor
A tarifa simples cobra o mesmo preço por kWh independentemente da hora. Ponto. É a tarifa por defeito — a maioria fica com ela por inércia, não por escolha consciente.
Faz sentido apenas quando:
- A casa está ocupada durante o dia inteiro
- O consumo é distribuído por todas as horas, sem picos noturnos
- Nenhum eletrodoméstico de consumo elevado funciona fora do horário diurno
Para uma família portuguesa típica — em que o grosso do consumo acontece à noite (jantar, banho, máquinas, TV, ar condicionado, carro elétrico) — a tarifa simples é, quase sempre, dinheiro a mais.
Tarifa bi-horária: a vencedora silenciosa
A bi-horária divide o dia em dois períodos:
- Horas fora de vazio (mais caras): das 8h00 às 22h00 nos dias úteis e 9h00 às 14h00 ao sábado.
- Horas de vazio (mais baratas): das 22h00 às 8h00 nos dias úteis, mais o resto do sábado, o domingo e feriados.
O kWh em vazio é cerca de metade do preço fora de vazio. Quem programa máquinas para a madrugada, carrega o carro elétrico durante a noite, ou usa termoacumulador a horas inteligentes, beneficia diretamente.
A poupança típica anda nos 8% a 15% da fatura anual — sem mudar absolutamente nada do consumo, apenas trocando a opção tarifária no contrato.
Quando vale a pena:
- Pelo menos 30% do consumo é noturno ou de fim de semana
- Tem aquecimento elétrico, ar condicionado ou termoacumulador programáveis
- Consegue (mesmo) deslocar a lavandaria e a máquina de lavar loiça para o vazio
Tarifa tri-horária: o jogo dos profissionais
A tri-horária divide o dia em três zonas:
- Horas de ponta (as mais caras): manhãs e fins de tarde de dias úteis
- Horas cheias: meio do dia e início da noite
- Horas de vazio: madrugada e fim de semana
O kWh em vazio é cerca de 60% mais barato que o de ponta. É a tarifa com maior poupança potencial — mas também a que exige mais disciplina.
Quando vale mesmo a pena:
- Família grande, com consumo elevado (>4.500 kWh/ano)
- Carro elétrico carregado em casa
- Termoacumulador, máquinas e secador todos programados
- E — sobretudo — com painéis solares e/ou bateria
É aqui que a coisa fica interessante.
O ingrediente secreto: sol + bateria + tri-horária
Com painéis solares, a fatura muda de lógica. Em vez de comprar eletricidade à rede a horas de ponta, produz a sua durante o dia. O que ainda compra à rede passa a ser quase só de noite — exatamente as horas mais baratas em tri-horária.
Com uma bateria, dá um passo extra: enche a bateria com o sol grátis durante o dia (ou com eletricidade barata em vazio durante a madrugada), e usa-a nas horas de ponta para evitar comprar à rede ao preço mais alto.
Na prática, uma família com painéis + bateria + tri-horária pode reduzir o custo da eletricidade comprada à rede em mais de 80%. A tri-horária deixa de ser uma armadilha de disciplina e torna-se uma vantagem matemática.
Veja também: Como Tirar o Máximo Proveito do Sol em Casa.
O erro mais comum: mudar de tarifa sem mudar o consumo
Aqui está o detalhe que separa quem poupa de quem fica igual: a tarifa bi ou tri-horária só funciona se realmente deslocar consumo para as horas baratas.
Quem muda para bi-horária e continua a ligar a máquina às 19h, a aquecer água ao final da tarde e a ver TV até às 22h continua a pagar quase o mesmo. A poupança vem do hábito, não da assinatura.
A boa notícia é que os hábitos certos são poucos e fáceis:
- Máquina de loiça e de roupa: programar para começar às 22h (o botão “delay” existe em quase todas as máquinas dos últimos 10 anos)
- Termoacumulador: programar para aquecer entre as 2h e as 6h da manhã
- Carro elétrico: carregar à noite, nunca ao fim de tarde
- Aspirador, ferro, outras tarefas elétricas: ao fim de semana, idealmente em vazio
Como mudar de tarifa (sem custo, em 5 minutos)
A mudança é simples e não custa nada:
- Ligue ao seu comercializador atual ou aceda à área de cliente online
- Peça a alteração para tarifa bi-horária (ou tri-horária)
- A mudança fica efetiva a partir do próximo ciclo de faturação
- Não há nova ligação à rede, não há corte de eletricidade, não há instalação física
Se ainda tem dúvidas, o comparador da ERSE permite-lhe simular a fatura nas três tarifas com base no seu consumo real.
E se a fatura continuar a doer?
Se já tem o contrato otimizado e mesmo assim a fatura pesa, o passo seguinte é mudar a estrutura, não os hábitos: instalar painéis solares.
Com o modelo de subscrição da bling, paga uma mensalidade fixa desde 49 €/mês e tem o sistema instalado, mantido e garantido durante 20 anos — sem investimento inicial. A partir desse momento, a fatura combina o melhor dos dois mundos: tarifa otimizada e produção própria.
Em 2 minutos, descubra exatamente quanto pode poupar com painéis solares na sua casa.
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